Mato Grosso, Domingo, 17 de Novembro de 2019     
2018 Pesquisadores registram nova ocorrência de espécie de abelha parasita no Pantanal
UNEMAT FAZ PESQUISA
Pesquisadores registram nova ocorrência de espécie de abelha parasita no Pantanal
17/10/2019 15:28:42
por Nataniel Zanferrari
Foto por: Moisés Bandeira

Os pesquisadores do Laboratório de Abelhas e Vespas Neotropicais da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) descobriram uma ocorrência inédita de Aglae caerulea, uma espécie de abelha que nunca havia sido encontrada no Pantanal.

A espécie é chamada popularmente de mangangá, mamangaba, mangango, mamangava, mangava, mangangava e mangangaba (nomes pelos quais também são popularmente chamadas as espécies dos gêneros Bombus e Xylocopa).

A espécie foi catalogada em uma floresta de galeria na Estação Ecológica Serra das Araras, no município de Porto Estrela, a 198 quilômetros da capital Cuiabá. A espécie possuía diversos registros das florestas tropicais do Panamá e do Caribe até a Floresta Amazônica quando, em 2006, o Laboratório de Abelhas e Vespas Neotropicais registrou a espécie pela primeira no Cerrado, no município de Chapada dos Guimarães, a 64 quilômetros da capital.

A descoberta foi publica na revista científica Apidologie, publicação francesa referência em pesquisas com abelhas de todo o mundo, coordenada pelo Instituto Nacional de Pesquisa Agronômica da França e pela Associação Alemã de Apicultores

A pesquisa e o laboratório são coordenados pelo professor Evandson José dos Anjos Silva, doutor em Entomologia pela Universidade de São Paulo (USP) e mestre em Ecologia e Conservação da Biodiversidade pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

O professor chama a atenção para a vagilidade da mamangaba, ou seja, a capacidade da espécie de se deslocar. “A abelha comum possui uma ‘vagilidade’ de cerca de três quilômetros e a abelha sem ferrão de 1.500 a 3 mil metros. De acordo com pesquisas recentes, esta espécie possui uma vagilidade de 92 quilômetros”, explica Evandson.

De acordo com pesquisador, a descoberta da Aglae caerulea no Pantanal é de impacto positivo devido à importância dela para a conservação, já que polinizam de 28 a 30 espécies diferentes de plantas. “Também é importante devido à quebra de paradigmas: uma espécie que era tida como endêmica da Amazônia, agora fica provado que não”, garante o biólogo.

Agora o Laboratório realiza novas pesquisas dentro do Pantanal, para verificar o impacto da descoberta neste novo bioma. “Isto implica em aumento da biodiversidade do Pantanal, e prova que ainda conhecemos muito pouco”, disse o professor.

Com 16 anos de existência, o Laboratório de Abelhas e Vespas Neotropicais da Unemat é vinculado ao curso de Ciências Biológicas e à Faculdade de Ciências Agrárias e Biológicas (Facab) do Câmpus de Cáceres, e possui uma coleção de cerca de 90 mil abelhas de 80 a 100 espécies diferentes, das quais 60 já foram identificadas.

O Laboratório também atua com o Programa de Pós-Graduação em Rede em Biodiversidade e Biotecnologia da Amazônia Legal (Bionorte), rede composta por 30 instituições de pesquisa em nove estados, da qual a Unemat faz parte.

Salvar esta página   Imprimir notícia   Enviar notícia por e-mail Visitas: 843 | Impressões: 16
Compartilhar no Facebook

Notícias relacionadas

  • Nenhuma notícia relacionada

Rede Social


Copyright 2019 - Universidade do Estado de Mato Grosso
Av. Tancredo Neves, 1095 - Cavalhada II
78200-000 - Cáceres - Mato Grosso
PABX +55 (65) 3221-0000